Diego Hernandes Rodrigues Laranja

Diego Hernandes trabalha na Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo desde 2013 e foi representante da instituição no Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT) no período de 2017 até 2019. Atualmente participa nos comitês Paraíba do Sul, Litoral Norte e Baixada Santista. Ele acredita que para fortalecer a cultura da água como um bem na sociedade é preciso trabalhar a educação ambiental, de modo que sua origem e seu destino sejam assimilados pela população.

Segundo Hernandes, a relação amistosa entre floresta e água requer uma política pública que está se desenvolvendo no estado de São Paulo. Mas ainda é preciso reforçar a importância da restauração florestal para o abastecimento público, visto que a preservação mantém a qualidade da água para os usuários: “essa relação precisa ser trabalhada no ambiente escolar, mas é preciso expandir para a população também, através de campanhas de comunicação mais diretas que mostrem o quanto isso é importante para segurança hídrica”, comenta.

Há ações de restauração das florestas no estado de São Paulo que compõem o Programa Nascentes, uma iniciativa que visa restaurar  ecologicamente áreas prioritárias com intuito de proteger e preservar os recursos hídricos e a biodiversidade. Entre as ações do programa está o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que apoia proprietários rurais na restauração de matas ciliares e de nascentes em suas propriedades.

Hernandes comenta que atividades como essa são políticas públicas que precisam ser cada vez mais consolidadas para atingirem uma melhoria expressiva, como por exemplo, o uso da geotecnologia para o aperfeiçoamento de ferramentas que contribuam para um monitoramento mais efetivo dos projetos de restauração ambiental, de modo que possibilite a automatização desse processo. 

Para Hernandes, além da melhoria das políticas públicas, o modo de comunicação de tais feitos é um instrumento de fortalecimento do colegiado. “Os resultados dos projetos precisam ser melhor comunicados à sociedade, é preciso divulgar mesmo os benefícios das ações que têm fomento pelo comitê”, expressa. Além disso, ele acredita que sociedade civil precisa ter sua representação mais acentuada para que tenha mais participação na elaboração dos projetos que a envolve de alguma forma.

Ainda em termos de representatividade, Hernandes afirma que as instituições de ensino superior não estão bem colocadas no papel do comitê, sendo que o espaço de atuação das universidades é imprescindível para o processo de comunicação de dados acadêmicos que servem como suporte técnico-científico durante a elaboração e implementação dos projetos.

O Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê tem uma particularidade por estar associado a uma área de maior consumo de água do país, portanto, os projetos são desenvolvidos nas localidades que têm foco na relação consumo-produção e consumo-conservação de água. Por conta disso, Hernandes ressalta a necessidade de uma estratégia de comunicação mais efetiva, aderindo às mídias sociais: “é preciso ter um canal mais efetivo de divulgação dos projetos e relatórios, através das redes. A ideia do link no site já está ultrapassada, temos que ir um pouco além do que simplesmente tornar público os resultados. Tornar público e atingir o alvo, talvez esse seja o próximo passo.”

 Bruna Tastelli