Maria Emília Botelho
Maria Emília Botelho é formada em comunicação social e atualmente representa a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT). Em sua trajetória, ela avalia que houve amadurecimento das políticas de gestão ambiental e melhorias no relacionamento interno e externo, quando se trata, principalmente, de conscientizar a sociedade civil.
A falta de preocupação com os recursos hídricos é um efeito da baixa eficiência de políticas públicas para conscientização ambiental. Assim, no uso da água, os usuários têm pouca noção de sua própria importância para a preservação. “A água é um direito humano, mas o próprio usuário não tem essa consciência”, resume.
Os momentos de escassez despertam mais interesse sobre a eficiência dos governos na gestão. Segundo Botelho, é necessário haver orientação dos usuários e educação ambiental para uma consciência mais crítica.
Botelho relata que na crise hídrica de 2015 houve um trabalho intenso de conscientização ambiental. Entretanto, com o fim da crise, percebe que não houve efeitos a longo prazo: “o pessoal esquece e volta a lavar a calçada com a mangueira, com a maior facilidade do mundo, esquecendo a importância da preservação e a forma de utilização dos recursos hídricos”.
A falta de conhecimento da população sobre a existência dos comitês é o quadro mais crítico apontado por Botelho. Por isso, deve haver mais divulgação das ações, inclusive dentro do próprio comitê. “O papel da Câmara [Técnica de Planejamento Ambiental] é pensar, com os três entes que fazem parte do comitê, o que precisa ser feito para a região e direcionar o recurso para o fato mais crítico naquele momento”.
A atuação em equilíbrio e dialógica dos três entes participantes é essencial para o funcionamento do comitê. Porém, muitas vezes as funções e objetivos dos membros não estão direcionadas para o mesmo ponto, o que gera atraso e pouca concretização das metas estipuladas. “É necessário que todos sentem na mesa e esqueçam os interesses pessoais para de fato traçar uma meta”, analisa.
Botelho diz que é preciso uma ação integrada entre municípios, sociedade e Estado na prevenção de enchentes. “Eu acho que tem que ter mesmo uma preparação e capacitação de como agir nessa hora, em parceria com a defesa civil e o próprio governo do Estado, encarando a realidade do jeito que está. É necessário estar preparado para esses eventos e acho que o comitê pode colaborar muito, capacitando os entes para que eles consigam transmitir para os demais o que deve ser feito”.
O aporte técnico científico representa descobertas, avanços e até a negação do que se entendia ser a ação correta. Botelho sublinha a relevância do conhecimento científico trazido pelas universidades ao comitê. Os comitês devem estar aberta a essa contribuição, como parte de um diálogo contínuo, que deve ocorrer não só como a universidade, mas sim com toda a sociedade: “não adianta, [deve-se agir] sempre pensando junto”.
Rebeca de Souza Almeida
