Edson José de Barros

Geólogo formado pela Universidade de São Paulo e mestre em geociências pela Unesp, Edson José de Barros tem uma longa trajetória no poder público. Desde 1996 trabalha em prefeituras e atualmente representa Guarulhos no Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. 

O direito à água e seu uso racional equilibrado e justo são apontados por Barros como fundamentais. Ele avalia que os comitês são eficientes na aprovação de projetos a serem executados com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e no desenvolvimento de relatórios de situação, em que se buscam indicadores de poluição, por exemplo. Ele, no entanto, ainda vê entraves presentes: “vejo que trabalham indicadores sem uma resposta do governo do Estado ou dos municípios”. A Política Nacional de Meio Ambiente estabelece o Sistema Nacional de Informações Ambientais, que serve como exemplo de indicador e gestão eficiente para Barros.

 A baixa atualização de indicadores, mapas florestais e levantamentos pode comprometer a fidelidade de informações para a governança das águas. Para aprimorar o sistema, Barros sugere a importância da capacitação de pessoas e o diálogo mais próximo com instituições acadêmicas e científicas.

Barros considera que, em momentos de crise, os esforços estiveram limitados a buscar soluções de engenharia para levar água de um ponto ao outro. Assim, os fatores que podem ter contribuído para desencadear as crises não chegaram a ser alvo de discussões mais profundas.

Detectar os poluidores também é um caminho para melhorar a eficiência. Barros aponta, por exemplo, que resíduos de construção civil são frequentemente encontrados em nascestes, mas não existem campanhas de conscientização voltadas para a prevenção do descarte de materiais. “Deveria haver políticas como ponto de entrega que chegue à população”, exemplifica.

O engajamento da sociedade surge do estímulo à participação. Quando existe mobilização pública e presença de agentes do poder público que realizam trabalho de conscientização, o interesse pelo tema aumenta. São ações que Barros entende como necessárias e que devem ser aplicadas como política de pertencimento e o contato com a comunidade.

Barros sugere que o financiamento público de obras pequenas poderia prevenir problemas, se as prefeituras exigissem como contrapartida o descarte correto de resíduos e obras integradas aos sistemas de drenagem e contenção.

A participação efetiva da sociedade civil é apontada por ele como importante, porque o setor produtivo, ao se organizar mais facilmente, acaba sendo mais beneficiado. Por isso, Barros defende que a representação da sociedade deve ser fortalecida, já que, apesar de distante em certos níveis, possui visões singulares sobre o uso da água.

Rebeca de Souza Almeida